Segunda-feira, Junho 20, 2011

serenidade.



Sabes que a vida já se estuou em cabeceiras do seu rímel.
Na manhã tão trémula acordo e ainda não sei nada,
visto o tecido do paradoxo,
e depois pego no livro e ajuízo.
Vou escondido entre as sombras,
maquilho os dias com poesia.
A personagem diz-me olá, desfalecida,
nunca toca nas cabeceiras.
As descrições são outras, ornatos de vidro,
num espelho desfalecido.
Uma cabeceira serve para a morte,
para quando os mortos se fatigam e se mostram em estátuas pequenas,
pertencentes às mãos.
Eu tento construir uma mão,
tento que o poente germine vida,
e deito-me ao lado da cabeceira.
Na cabeceira nascem livros e conversas,
entre as palavras e as pedras, esculpidas de forma a resumir um alento.
Ando sobre o leitores,
em que o inanimado se eterniza.
Pela noite apago a luz,
e sonho com a minha cabeceira.

3 comentários:

Miri* disse...

ja tinha saudades de te ler...

e espero que as tuas palavras me sirvam de inspiraçao para uma grande crise de falta dela ;)

Perfect like always :D

... disse...

e pintas muito bem a poesia.
deita-te sob a cabeceira e nasce, constroi palavras e diálogos no melhor livro que eu conheço. o titulo desse livro é a vida a que dás cor. eterniza as palavras e que a vida germine nas tuas mãos donde caem todas as tuas palavras.

serenidade. bom tema.
gosto deste jeito diferente que tens.
;)

qel disse...

conseguisse eu comentar com esse charme todo digno dos teus rabiscos. *